Com a Lei Complementar 213/2025 e a regulamentação da Susep/CNSP, as associações de proteção patrimonial mutualista passaram a enfrentar uma nova etapa de adequação jurídica, regulatória e operacional.
O cadastramento junto à Susep foi um passo essencial, mas não representa, por si só, a regularidade definitiva da operação. Agora, associações precisam acompanhar exigências relacionadas a documentos, contratos, políticas internas, comunicação com participantes e relação com a administradora que fará a gestão da operação.
A proteção patrimonial mutualista entrou em uma nova fase de supervisão e regulação. As associações que atuam nesse segmento precisam observar normas aplicáveis ao mercado regulado pela Susep e pelo CNSP, especialmente após a publicação da Resolução CNSP nº 491/2026, que estabelece normas gerais para essas operações.
Na prática, isso significa que associações precisam regularizar não apenas sua situação cadastral, mas também sua estrutura operacional, suas políticas internas, seus contratos com participantes, seus materiais de comunicação para representar os interesses dos participantes com as administradoras.
fique por dentro
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) informou, em 06 de agosto de 2026, o encerramento do prazo de 90 dias previsto na Resolução CNSP nº 491/2026 para que interessados solicitassem prioridade na avaliação dos projetos de criação de administradoras de proteção patrimonial mutualista.
A Coordenação-Geral de Autorizações (CGAUT) dará continuidade ao agendamento das apresentações técnicas (etapa inicial do processo de autorização) seguindo a ordem das solicitações. Após essa fase, os interessados que atenderem às condições regulamentares poderão protocolar formalmente seus pedidos de autorização
A contratação de uma administradora autorizada é condição obrigatória para a regularização completa de mais de 2.200 associações que operam no segmento.
O prazo de transição está previsto para encerrar em maio de 2028.
Enquanto a Susep conduz os processos de autorização, é recomendável que as associações:
• Revisem documentos de adesão, estatutos, regulamentos e regimentos internos
• Mapeiem fluxos de aceitação, cobrança e pagamento de rateios
• Atualizem dados cadastrais dos associados
• Revisitem materiais de divulgação, sites e formulários de cotação
• Refinem a comunicação com seus associados sobre o processo regulatório
Esse mapeamento será utilizado na fase de negociação do contrato com a administradora.
Importante: A inclusão de um projeto na lista de pedidos prioritários não representa autorização para funcionamento. Pendências ou irregularidades podem resultar em solicitação de informações complementares, arquivamento ou negativa do pedido.
A adequação regulatória pode envolver diferentes frentes da associação. Alguns riscos não aparecem apenas na ausência de cadastro, mas em detalhes da operação: dados divergentes, documentos desatualizados, contratos incompletos, materiais comerciais desalinhados ou políticas internas que ainda não refletem a nova regulamentação.
Entre os pontos que podem exigir revisão estão:
• Informações e declarações cadastradas junto à Susep;
• Estatuto e regulamento dos grupos;
• Instrumentos de adesão dos participantes;
• Contrato com administradora;
• Políticas de aceitação e subscrição;
• Materiais de divulgação, cotação e contratação da proteção;
• Conteúdo do site;
• Comunicação com associados;
• Responsabilidades dos participantes, da administradora e da própria associação.
Cada associação pode estar em um estágio diferente de maturidade regulatória. Algumas já avançaram em documentos internos; outras ainda precisam revisar contratos, comunicação, políticas ou informações enviadas no processo de cadastramento.
O diagnóstico regulatório permite mapear pontos de atenção, organizar prioridades e diferenciar o que depende de ajuste documental, o que exige mudança operacional e o que precisa ser acompanhado junto à evolução normativa da Susep e do CNSP.
Mais do que aplicar uma solução padronizada, o diagnóstico ajuda a compreender a situação concreta da associação diante da nova fase regulatória.
Este material é voltado a dirigentes, gestores, responsáveis jurídicos, financeiros e administrativos de associações de proteção patrimonial mutualista que desejam compreender os impactos da nova regulamentação sobre suas operações.
Também pode ser útil para associações já cadastradas junto à Susep, entidades em fase de reorganização interna ou grupos que estejam avaliando a criação de uma associação para atuação nesse segmento.
O Mandaliti acompanha os desdobramentos regulatórios aplicáveis ao setor de seguros e proteção patrimonial mutualista, com atuação consultiva e contenciosa em temas relacionados a seguros, compliance regulatório, contratos e demais operações supervisionadas.
A atuação integrada permite analisar os impactos jurídicos e operacionais da nova regulamentação, considerando documentos internos, contratos, fluxos, comunicação com participantes e potenciais pontos de exposição e perdas financeiras.